terça-feira, 27 de abril de 2010

(A)braço

Dorme criança, que a lua vem te abraçar
deita e adormece, linda!
Deita que eu te faço ninar

domingo, 25 de abril de 2010

Nome Próprio

"Minha dor é interna, não curte a pele, não estraga o corpo. Mas meus olhos me delatam.
A dor estava toda ali dentro, os olhos sérios negros e fundos. Dor de quem já viu tudo e não espera mais nada. De quem ficou sozinha a vida inteira, encarcerada em si mesma. De quem já viu o nada, o vazio absoluto, a ausencia de cor e dor e calor e música e sentimento, já foi engolido e cuspido pelo nada incontáveis vezes, e será de novo, e de novo, e mais uma vez, até a última, quando só sobrar um caroço morto, um esqueleto sem vida.
Depois de ver o nada, nada mais espera. Não é como se voce ficasse insensível ou entorpecido, nada disso. Aumenta o apetite por sentimentos, aumenta a intensidade, porque você sabe que ele pode chegar a qualquer momento, como uma nuvem, uma peste silenciosa, e acabar com tudo. A dor salva do nada. Só ela salva".

por Camila

sábado, 24 de abril de 2010

Lacunas

Você disse que não sabe se não
Mas também não tem certeza que sim
Quer saber?
Quando é assim
Deixa vir do coração
Você sabe que eu só penso em você
Você diz só que vive pensando em mim
Pode ser
Se é assim
Você tem que largar a mão do não
Soltar essa louca, arder de paixão
Não há como doer pra decidir
Só dizer sim ou não
Mas você adora um se...

Eu levo a sério mas você disfarça
Você me diz à beça e eu nessa de horror
E me remete ao frio que vem lá do sul
Insiste em zero a zero e eu quero um a um
Sei lá o que te dá, não quer meu calor
São Jorge por favor me empresta o dragão
Mais fácil aprender japonês em braile
Do que você decidir se dá ou não.



Uma parte grita "Sim" mas "Não" é tão mais agudo que acabo preferindo o hiato

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Meu pai diz me conhecer muito bem, fala que sou implacável


O que o amor é capaz de fazer, até onde você vai quando ama alguém? Quando respeita e, não pode, é impossível, não aceitável, deixar de amar. [Quanto você morre?Morre[!]Você-morre!!] Qual a parcela dia-a-dia que se deixa dormir;pra prevalecer, permanecer e, sobrevir a vontade do outro, (outra parte de mim[?]), completamente enterrada, acabada, suja, sólida. Por que é você que tenho vivido, que acabo em constância por viver, demais, sempre, todo-dia. E pra mim (só[bra]) sufoco e vazio, um oco frio, Grande ferida infeccionada-exposta. E o pior de tudo é ver que despejando-lhe meus dejetos-entranhas a ferida fica ainda mais ampla, vermelho-vivo, restando lágrimas e pó

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Sonho que

sonhado esperto é mais que pesadelo em noite de cheia-lua

Qu'ero a noite, [d]esse amor-loucura que dá te(n)são e cora os olhos ao desnudar

sua reação,chão

Toque'u[!], segura, dilata tudo

enfim.
Assim, num piscar de pupilas.
Desce e

sobe, dentro das entranhas de um sonho[?]Acord[ad]o

Mil vezes-sem delimitar, abraço-amasso, suor-quente.Queima-eu mais

as loucuras da noite-fria.

"Eu sei

eu sei que não era pra eu ser assim

que eu devia tomar as doses nas horas certas

eu sei que eu devia dormir boas noites de sono

e que eu devia fumar menos

escovar os dentes com pastas pra gengivas sensíveis

e perambular menos na rua quando todo mundo já foi

e não me jogar tanto quando alguém me abre os braços

e beber menos

e amar menos

eu devia parar




E pensar menos

eu sei que eu devia pensar menos

e falar menos

eu sei que eu devia falar menos

pra viver mais

eu sei que eu devia viver menos

mas eu não sei viver menos."

"Menos"
de Porcas Borboletas. (Ouça)

Dedicado às horas com os amigos no Palquinho-Ufscar

terça-feira, 20 de abril de 2010

caramelle

Acabou.
Acabou de chegar e, tudo ficou diferente, menos o que era igual.

Sim, vou chorar o tempo que perdi.


Eu te amo mais do que a mim mesma, muito mais, infinitamente mais. Não quero

te machucar, magoar com gesto, palavrasilêncio. Não quero!

Minha reação à ti, bate em mim também, é um tapa na cara!

Quero ser indiferente aos seus gritos,às palavras que sufocam e ecoam no vazio de mim.
Te amo mãe. [In]feliz.mente.

Se não fosse assim tudo seria mais fácil. Leve...simples...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Yoga é uma filosofia milenar, originária da Índia que promove o desenvolvimento completo do ser humano.

domingo, 18 de abril de 2010

No escuro e sob a luz da lua

Já não sei que horas,
tarde, solo, sol a sol. O céu que muda e inunda meus pensamentos de ti, de mim, de nós,Dois.

Lembranças, vontades, sonhos, um delirar acordado,

acobreado, poente.
Azul, cinza-escuro. Brio, breu,

breve-morte, súbita-entrega a (um) que(m) não se quer entregar à sua (própria)nudez. Aparente.mente.
Sacrário?! De mim

Noite. És ti, ó luz.da lua, clara no escuro.Morte,vida!


sexta-feira, 16 de abril de 2010

Primeiro


É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.


É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.


O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.


O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.


O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

Cecília Meireles
Imagem: Lago da Ufscar, por Wellington F. Molina