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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Pulsão







De bamba, sandália de prata e cabelos ao vento ela dança.


Com o balanço de uma série de ipês ao vento numa cadência que me queima; esquenta.
Agora essa moça chegou com a intenção única de provocar
me trazendo uma carência pro peito, uma vontade de rolarmos juntos, por um tempo que não se calcula....

Em cima do meu juízo ela pisa quando abre a boca e solta aquela voz com o timbre que só ela possui.
Ajoelho, por sobre todos os meu preconceitos e medos e juízos. Esquenta.
A música....ah, a música que não me deixa cansar
fazendo com que eu perca e receba tudo aquilo que me é inerente....

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Primeiro


É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.


É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.


O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.


O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.


O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

Cecília Meireles
Imagem: Lago da Ufscar, por Wellington F. Molina