quinta-feira, 8 de julho de 2010

Para um grand'am(ig)o'r

Meus amigos são todos assim:
metade loucura, outra metade santidade.
Escolho-os não pela pele, mas pela pupila,
que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.

Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria.

Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.

Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.

Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos, nem chatos.

Quero-os metade juventude e outra metade velhice.

Jovens, para que não esqueçam o valor do vento no rosto,

e velhos, para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou,

pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, jovens e velhos,

nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde
(...)

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